"NENHUM PASSO PARA TRÁS!"

Os protestos vêm tomando conta do Brasil. Confira minha opinião.

A FALTA DA VOZ

A torcida do São Paulo, em meio ao ruim desempenho da equipe, pede a volta de Muriciy.

A SELEÇÃO QUE PRECISAMOS

Saiba a minha opinião a respeito dos 11 titulares da Seleção Brasileira.

ESTRELA DE CAMPEÃO

A defesa de Victor foi a maior prova de que o Atlético está no caminho certo para o título.

A POESIA DE NEYMAR

Neymar se despediu ontem do Santos para assinar contrato com o Barcelona.

13 de abr de 2015

"Manuel, foi pro céu"


Fê Attom, cantor, 50 anos, é um homem exageradamente acima do peso, fruto de anos de boêmia. Sujeito um tanto manhoso, meio brincalhão, eterno fanfarrão. Fez sucesso no passado, mas hoje sobrevive de uma única canção. Suas músicas, num estilo difícil de definir, sempre foram cantadas majoritariamente em inglês. O objetivo era mostrar que ele é um homem do Universo. Universal. Ah, como ele gostava, e ainda gosta, de dizer isso! Não importava a pergunta, lá vem a resposta: universo, universo, universo. Suas músicas, que ele próprio cantarola numa espécie de Itunes embutido no cérebro, soam na língua universal proveniente do país universal, assim como os membros de sua banda (apenas estrangeiros), tais quais suas letras (referências ao exterior - que terras maravilhosas!). Oh, yeah!

Um belo dia, depois do almoço, de tanto comer e beber vinho e cerveja, Fê passou mal e foi parar no pronto-socorro. Levado ao hospital, foi rapidamente atendido – ah, sim, muita gente ainda o reconhece. O quadro de enfarte era perigoso e digno de atenção máxima. Mas só havia dois médicos de plantão. Um era um moço nordestino, estudado, batalhador e perito em equipamento cardíaco, especialmente o desfibrilador; a outra, uma moça educada, inteligente, que falava apenas inglês e nada sabia do aparelho.

Fe Attom balbuciava: "Só posso ser atendido por alguém que saiba o básico de inglês". Mas a fluente na língua em nada podia ajudá-lo, afinal pouco conhecia do desfibrilador. Que dilema! 

Passada meia-hora de indecisão, Attom morreu. No fundo, a rádio interna do hospital tocava Manoel, de Ed Motta.

"Gostava de música americana, 
  Ia pro baile dançar todo fim-de-semana...

  Manoel
  Foi pro céu! 
  Manoel! 
  Foi pro céu!"